31 março 2007

MC-032 – Nascimentos

Zé Cigano espera com os cinco filhos que a mulher acabe de parir. Quando a comadre grita “Gémeos” Zé desvairado tenta meter o último de volta ao útero.

30 março 2007

11 março 2007

MC-030 – Suspiro

MC 030 – Suspiro Tomé afastou a feijoada onde dois ovos o olhavam lembrando a galinha roubada à vizinha que saíra gritando pelada a meio da noite. Belos ovos, suspirou!

MC-029 – Praias e palmeiras

Arranjando as unhas do deputado recém eleito, Betinha sonha com praias e palmeiras enquanto sorri promissora, tentando esquecer a verruga no nariz.

MC-028 – A ambulância

A ambulância corria louca pela cidade gritando passagem. O balão de soro seguiu o ferido porta fora naquela noite de luar.

MC-027 - O colar

Elegante D.Ema rege, batuta em punho, o orfeão da escola. No gesto largo o colar de pérolas solta-se como lágrimas. As alunas festejam a aula acabada.

MC-026 – O mendigo

O mendigo esticou a perna e fez cair D. Amélia sobre o cão que ganindo saltou sobre o pedinte, espalhando o ganho do dia pela rua. Ela seguiu feliz

MC-025 – Fim de luto

Abriu as janelas, retirou os panos que cobriam o espelho, sentou-se ao piano jogando o cabelo para trás e tocou um Alegro ma non tropo.

08 março 2007

MC-024 – Dona Aurélia

Depois de pintar as sobrancelhas ralas, Dona Aurélia traçou na cabeça um risco ao meio e chamou a criada para lhe emprestar as tranças.

MC-023 – Montes e montes

De noite, sozinho na cama, ele sonhava que subia, descia e se perdia entre luxuriantes montes de Montes de Vénus.

MC-022 - A mulher careca

A mulher careca, escolheu a sua mais deslumbrante e loira peruca passou baton e rimel e foi assistir ao velório da amiga.

25 fevereiro 2007

MC-021 – Casa abandonada

Casa abandonada, poucas pessoas a olham de frente, apressam o passo como diante da Velha que nem estende a mão, apenas está, dentro de seu passado.

MC-020 – O pavão

Um sussurro, um bater de asas e sobre o muro surge altivo e belo um pavão. Azul profundo único, brilhante. Oh presença mitológica dos mil olhos...

MC-019 - Lembranças

Já não há amoras bordejando o caminho nem o ranger dos carros de bois, mas nos muros de pedra-solta vestidos de musgo há histórias antigas a murmurar.

MC-018 - Aviso

O céu estava tão azul e havia tanto verde à volta que aquela velha árvore de braços negros erguidos tinha a força de um grito, como se fora um aviso.

MC-017 - Ano a trabalhar

Levaram todo o ano a trabalhar, a juntar dinheiro para umas férias na praia. Por fim chegados, sentaram-se num banco da estrada de costas para o mar

MC-016 - Mal menor

Último dia de aulas, silêncio, paz. Os pássaros sentiram que os gatos não eram assim tão terríveis, não sabiam atirar pedras nem usar fisgas.

MC-015 - Sorriso da Lua

O céu foi passando de azul a vermelho e de cinza a negro. Então surgiu brilhando o sorriso do gato de Alice.

MC-014 - O pardal

O pardal deu três saltos e apanhou a lagarta. O gato abriu a boca e cuspiu o pássaro que sabia a couves.

MC-013 - O Vento

O vento fez a velha cair nos braços dum jovem modelo que se olhava na vitrine. Na autópsia acharam a dentadura dela encravada na garganta dele.