18 janeiro 2009

C-004 O ÚLTIMO AUTO DE FÉ EM PORTUGAL

Durante uma visita de estudo a Monsanto senti-me muito impressionada com a atmosfera geral da cidade e particularmente nesta rua e diante esta casa.

Deixei o grupo de professores meus colegas se afastar, para tentar compreender, ser só sentidos. E foi silêncio e o tempo como que parado e uma estranha sensação de perigo latente.

Bati a foto e saí quase correndo. Os meus amigos perguntaram se me sentia mal ao me verem tão alterada.

Dias depois, já em casa, lembrei-me duma antiga notícia de jornal em que era referido o último "Auto de Fé" em Portugal (1931). Em breves palavras lembravam como naquela vila aparentemente pacífica o povo queimara uma jovem acusada de bruxaria.

E aí eu revi a serra agreste, as casas de granito, fechadas como fechados e agrestes eram as mulheres de negro que encontramos. Não havia crianças nem risos, apenas o vento corria solto pela cidade trazendo os cheiros bravios da serra.

2 comentários:

Charlie disse...

Neste mundo tão superinformado, em que biliões de Bits circulam pela Net, constamos quanto é curta e volátil a memória.
Os que nos dias de hoje são lestos na acusação de outros Fundamentalísmos, fazem-nos na arrogância da sua suposta superioridade de valores.
Como se antes de acusar fosse quem fosse, não devessem primeiro apresentar as suas culpas e pedir perdão.

Anónimo disse...

Na "aldeia mais portuguesa de Portugal"? É irónico.
Cumprimentos